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Segurança • Governança • LGPD

Política de uso de IA para times de desenvolvimento: o que incluir

Os tópicos essenciais de uma política de uso de IA generativa para desenvolvedores: dados, ferramentas, revisão humana, propriedade intelectual e LGPD.


· 6 min de leitura

Proibir IA no desenvolvimento não funciona: as pessoas continuam usando, só que escondido. Liberar sem regra também não: código proprietário, segredos e dados de clientes acabam em ferramentas que a empresa nem sabe que existem. O meio-termo é uma política de uso curta, clara e aplicável.

Abaixo estão os tópicos que toda política de IA para times de software deveria cobrir.

1. Ferramentas aprovadas

Liste quais ferramentas podem ser usadas, em qual plano e com qual configuração. Planos empresariais costumam oferecer controles que planos pessoais não têm, como a garantia contratual de que os dados não serão usados para treinar modelos, retenção configurável e gestão centralizada de acessos.

2. Classificação do que pode ser enviado

  • Pode: código do projeto em ferramentas aprovadas, documentação interna não sensível, logs anonimizados.
  • Com cuidado: trechos com regras de negócio críticas, dados de configuração sem segredos.
  • Nunca: senhas, tokens, chaves de API, certificados e dados pessoais de clientes sem anonimização.

3. Revisão humana obrigatória

Código gerado por IA passa pelo mesmo processo de qualquer outro código: testes, lint e revisão por uma pessoa. Defina onde a revisão é ainda mais rigorosa — autenticação, pagamentos, permissões, migrações de banco e qualquer coisa que toque dados pessoais.

4. Permissões dos agentes

Agentes de código conseguem executar comandos, instalar pacotes e alterar arquivos. A política deve dizer o que eles podem fazer sozinhos e o que exige confirmação: por exemplo, nunca fazer deploy, nunca rodar migrações em produção e nunca acessar credenciais reais.

5. Propriedade intelectual e licenças

Oriente o time a desconfiar de trechos longos que parecem copiados de bibliotecas conhecidas e a verificar licenças de dependências sugeridas pela IA. Ferramentas com filtros de código público ajudam a reduzir esse risco.

6. LGPD

Se dados pessoais forem processados por uma ferramenta de IA, isso precisa ter finalidade definida, base legal e um fornecedor com garantias adequadas — inclusive sobre transferência internacional de dados. Na prática, para desenvolvimento, a melhor regra é simples: use dados fictícios ou anonimizados.

7. Dono da política e revisão periódica

Defina quem é responsável por manter a política e revise-a a cada trimestre. Ferramentas e termos de uso mudam com frequência, e uma política desatualizada vira letra morta.

Checklist rápido

  1. Ferramentas e planos aprovados estão listados?
  2. Está claro o que nunca pode ser enviado a um modelo?
  3. Código gerado por IA passa por testes e revisão humana?
  4. Agentes têm limites explícitos de permissão?
  5. Há orientação sobre licenças e dados pessoais?
  6. Existe um responsável e uma data de revisão?